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PROJETO: Formação ética dos docentes de filosofia do Ensino Médio

 

 

PROJETO: Formação ética dos docentes de filosofia do Ensino Médio

 

 

 

JUSTIFICATIVA

 

 

 

Nos últimos tempos o trabalho docente tornou-se objeto de preocupação, sendo assim vários estudos e pesquisas foram realizados com seus resultados publicados, dentre eles destacam-se: “O professor, as condições de trabalho e os efeitos sobre sua saúde” (MAIA, 2007); “A síndrome de Burnout e o trabalho docente” (CARLOTTO, 2001); “Trabalho docente: uma análise das práticas intelectuais em tempos de globalização” (MANCEBO, 2003); “O professor refém” (ZAGURY, 2006); “Dimensões da cultura organizacional, comportamento e satisfação no trabalho de docentes do ensino superior” (MONTALVO, 2002).

 

 

Nota-se que as inquietações subjacentes as pesquisas e estudos realizados acima, transcendem preocupações como sistema de avaliação tradicional, que leva em consideração as competências e os resultados vistos por parte dos alunos, dos pares e ou da instituição. Porquanto, aquelas, focam as condições de trabalho, a saúde do docente, o estresse, a motivação, a satisfação, o bem estar ou mal estar do docente, os efeitos das mudanças e dos desafios na contemporaneidade, decorrentes das novas exigências profissionais, quanto à adaptabilidade e à atualização, em decorrência da instabilidade no trabalho, sobretudo nas instituições privadas.

 

 

Um grupo de professores e pesquisadores publicaram um texto com título: “Docência: uma construção ético-profissional”, no qual expõem vários aspectos em torno da profissão docente, cuja preocupação central não é propriamente o processo da formação ética, mas, as implicações éticas na profissão. Discute-se, no texto, também, o sentido da profissão como exercício, ocupação (VEIGA, ARAUJO, KAPUZINIOK, 2005, p.23) e profissionalização, como “o processo socializador de aquisição das características e capacidades específicas da profissão” (2005, p.31).

 

 

Falar em profissão docente, e da sua missão, é falar de uma atividade complexa, levando em conta o universo do conhecimento. Além do mais, nem todos que atuam como docentes identificam-se como tais, pois é possível classificá-los na seguinte tipologia: profissional liberal horista, sem ou com formação didático-pedagógica; docente horista atuante em várias IES e cursos; docente com dedicação integral no ensino e docente com dedicação integral em ensino e pesquisa. Além disso, a atuação em diferentes níveis, graus de escolaridade e nos diferentes campos de conhecimento e saberes.

 

 

Dentre outros que têm estudado o assunto sobre a profissão docente, pode-se lembrar de Altet (2001), que, em um de seus estudos, mostra que existem vários modelos de professor profissional, classifica-os em quatro (2001, p.25), sobre quais se desenvolve a formação para a profissão e profissionalização docente, mediante conhecimentos, esquemas de ação e adaptação aos contextos diversos.

 

 

No intuito de apenas chamar a atenção ao trabalho docente como profissão e fechando este item, segundo Imbernón (2001. p. 39), esclarece que:

 

 

 

(...) se aceitarmos que a docência é uma profissão, não será para assumir privilégios contra ou “à frente” dos outros, mas para que, mediante seu exercício, o conhecimento específico do professor e da professora se ponha a serviço da mudança e da dignificação da pessoa. Ser um profissional da educação significa participar da emancipação das pessoas. O objetivo da educação é ajudar a tornar as pessoas mais livres, menos dependentes do poder econômico, político e social. E a profissão de ensinar tem essa obrigação intrínseca”.

 

Refletindo mais especificamente sobre formação ética, assunto que não é nada inédito, sabe-se que muito já se escreveu sobre ele. Tem-se observado que, as pessoas estão decepcionadas com a conduta e a situação ética nas diferentes instâncias sociais. Existe uma efervescência, um desejo de mudanças, diante disso, pode-se considerar que há uma demanda por formação ética, que, de épocas em épocas, torna-se mais manifesta. Também porque a vida social é dinâmica e as mudanças decorrentes das novas descobertas científicas, bem como, do avanço tecnológico, geram novas situações, põem-se novos desafios frente às atitudes e às decisões a serem tomadas. Amoêdo (2007, p.1) lembra que:

 

“A sociedade preservou no núcleo de sua consciência alguns valores, por vezes, embotados pelas contingências da contemporaneidade. Mas, como correntes ascendentes, voltam à tona, transformando-se em novos paradigmas a balizar o comportamento humano”.

 

A própria globalização, que aproxima a pluralidade cultural, requer comportamentos e ações que possibilitem uma convivência de respeito, de paz e de justiça, uma formação ética global, adequada para lidar com os problemas de abrangência mundial. Boff considera a necessidade de se encontrar novas bases que viabilizem a construção de uma nova ética, uma ética mundial/global, pois, “para uma realidade global, importa também uma ética global” (BOFF, 2003, p.21). Também Amoêdo (2007, p.89) observa que “Há uma proposta internacional de constituição de uma Ética Global (...)”, que vai além da responsabilidade pessoal.

Tratando-se da formação ética dos docentes, categoria profissional mais responsabilizada pelo processo educativo, ao menos enquanto ocorrência prática considera-se que são eles que devem ter uma formação para serem formadores, no sentido de serem agentes facilitadores. Provavelmente nunca se falou tanto sobre a formação de professores, sobretudo, quando se refere à docência da educação superior, pesquisas e publicações tem aumentado a cada dia. Dentro da preocupação com a formação da docência para a educação superior, destaca-se também a questão da formação ética.

 

 

Rios (2001), ao discutir em seu texto: “Compreender e ensinar - para uma docência da melhor qualidade”, em um de seus capítulos sobre a competência ética e política, mostra a necessidade da formação ética para o exercício do professorado. Perrenoud; Altet; Charlieer e Paquay (2001) indicam como pertinente e relevante para a docência, a competência ética.

 

 

Na coletânea “Universidade, formação cidadania”, organizada por Gislene Santos (2001), em alguns dos capítulos aborda-se o referido. Assim, poder-se-ia relacionar muitos outros, porém não se tem o objetivo de apresentar o estado da arte sobre a formação ética dos docentes.

 

 

O grande desafio para a educação e seus gestores não é somente a ampliação do espaço físico, de vagas e da inclusão, mesmo que também o seja, mas é uma educação voltada para responder às necessidades do seu tempo. Nesse sentido, coloca-se ou recoloca-se a formação ética - de valores.

 

 

Arroyo, no seu texto “A universidade e a formação do homem”, ao concluir, lembra que:

 

 

Temos que desenvolver não só os aspectos cognitivos, mas os aspectos éticos. E vou terminar com isso, que temos que desenvolver todas as dimensões do desenvolvimento humano e formar professores que dêem conta das totalidades das dimensões do desenvolvimento humano (In: SANTOS (org.), 2001, p.49). 

 

 

 

Schaff (1995), quando discute os valores no contexto da “revolução informacional”, considera que o homem está em busca do sentido do que sejam valores, o que pressupõe que, valores do ter estão sendo substituídos por valores do ser.

 

 

Zabalza pondera (2004, p.43) que, formar atitudes e valores é uma das partes mais importantes de qualquer processo formativo, porém, verifica-se que é a mais ausente nas instituições superiores. Segundo Kiel e Lennick (2005), atualmente as pesquisas revelam que a questão ético/moral é tão importante como são as de cognição e emocional; desta forma, considera-se que não se deve ficar indiferente em relação à formação ética – de valores, mesmo que, em certos meios da comunidade científica, haja resistência.

 

 

 

No texto, “Ética e Gestão Educacional” (SCHULZ, 2008), é apresentado um breve estudo sobre a normatização relativa à formação ética, de valores. Segundo a Lei de diretrizes da Educação (LDB), no capítulo “Dos Princípios da Educação Nacional”, no Art. 2, consta: “A educação dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

 

 

Subentende-se que, ao ter como finalidade o “pleno desenvolvimento”, se incluí a formação ética: moral e valores. Por mais diferentes que as concepções de homem subjacentes possam ser, além de permitir uma interpretação polissêmica. Da mesma forma, o preparo para o exercício da cidadania, mesmo sujeito também a diferentes entendimentos na sua prática, só pode ser atingido e vivido onde valores são compartilhados.

 

 

Quando a LDB trata da educação básica, no art. 27, inciso 1, consta: “A difusão de valores fundamentais ao interesse social aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática”. Mas não esclarece e não especifica quais são os valores fundamentais, contudo consideram-se os que têm uma dimensão universal, presentes nos direitos universais, como: liberdade, igualdade, solidariedade, justiça, dentre outros.

 

 

No capítulo da LDB sobre o ensino fundamental, no Art. 32, incisos III e IV, o texto registra que (...) “desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores”. No capítulo sobre o ensino Médio, no Art. 35, inciso III, consta: “(...) o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia e do pensamento crítico”

 

 

Está claro que, nesses níveis de formação escolar, a básica (fundamental e média) está prevista e espera-se uma educação voltada para a formação ética, moral e de valores. O mesmo não ocorre nos Artigos sobre a educação superior, não há referência direta à formação de valores ou a moral. Poder-se-ia subentender que não há necessidade, porque já não é mais possível nessa fase, já seria tardio.

 

 

Gislene (2001, p.155), ao comentar sobre a formação ética e da cidadania à luz da LDB, considera que:

 

 

As atuais discussões sobre como adequar as instituições de ensino e “capacitar” os professores de acordo com o que pede a Lei, se apresentam com esta querela: como vamos transformar nossos professores em cidadãos aptos a ensinar cidadania e nossas escolas em espaços democráticos que auxiliem a resolver o problema da ausência de ética e da violência na sociedade? Como fazer com que os educandos passem a desejar o bem e a virtude e a praticá-los para que nossa sociedade não se transforme no reino da barbárie?

 

 

 

Na declaração mundial sobre educação superior do século XXI: visão e ação, fruto da Conferência Mundial sobre Educação Superior, realizada em Paris, pela UNESCO em outubro de 1998, destaca-se no texto: “Missões e funções da educação superior”, no Artigo I, inciso E: “auxiliar na proteção e aperfeiçoamento dos valores da sociedade, mediante uma formação dos mais jovens que, de um lado, inclua os valores fundamentais da cidadania democrática”... No Artigo II- Papel ético, autonomia, responsabilidade e prevenção, no inciso d: “exercitar a capacidade intelectual e o prestígio moral da educação superior na defesa e difusão ativa de valores compreendidos como universais, como paz, justiça, liberdade, igualdade, solidariedade. Valores esses consagrados na Constituição da UNESCO”, (In: LÁZARO, 1999, p 65,67)

 

 

Segundo essa declaração, é de responsabilidade da educação superior a formação ética- moral e de valores, caso contrário caberia a ela apenas profissionalizar ou pesquisar. Entretanto também se exige que haja ética no exercício profissional e em especial, para o pesquisador.

 

 

É importante ressaltar que a formação de valores não cabe apenas à comunidade escolar a responsabilidade, em especial, aos professores, mas a todos os segmentos que compõem a sociedade.

 

 

Com estas considerações iniciais pretende-se chamar a atenção para o exercício da profissão docente e para a formação ética, considerando necessários para que ocorra um desempenho profissional qualificado e ético. Amôedo considera que a exigência ética vem como “pós-qualidade”, pois “a exigência agora não é apenas por produtos ou serviços de qualidade, mas também de natureza ética” ( 2007, p.89). Esta formação está na dimensão de uma personalidade moral, segundo Lima Vaz,

 

 

 

“(...) como a forma da vida ética que assegura e orienta a continuidade dos atos que a constituem e, nesse sentido, é a forma da vida virtuosa. Desta sorte podemos dizer que a personalidade moral assume, em seu estágio de realização e em seu dinamismo, todas as outras dimensões da personalidade e imprime sua marca no perfil autenticamente humano de cada uma delas” ( 2004, p.171).

 

OBJETIVO GERAL 

  • Verificar, por intermédio de estudo e pesquisa, a importância dada à formação ética aos professores da Filosofia do Ensino Médio e qual a visão sobre a forma da sua realização.


 

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

  • Constatar se a formação ética dos docentes é objeto de produção intelectual, de publicação bibliográfica e documental;

  • levantar se existe uma preocupação com a formação ética dos docentes na proposta curricular dos cursos de Licenciatura em Filosofia;

  • detectar qual a relevância dada para a formação ética da docência na percepção de docentes do Ensino Médio da Filosofia;

  • verificar quais fatores mais contribuem para uma formação ética para a docência segundo a percepção de docentes do Ensino Médio.

 

 

 

 

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