O que é Kalós?
A palavra Kalós, de origem grega, significa o belo e o bom. Este conceito aparece nos diálogos de Platão entrelaçado com imagens – proporção, simetria, medida, harmonia – que buscam relacionar as partes e o todo. Mais tarde, a partir do século XVIII, com as teorias modernas, há um abandono pela busca da definição de essência do belo e o foco passa a ser as investigações acerca da relação entre a percepção do sujeito e o objeto. Desta maneira, a qualidade associada ao objeto da contemplação deixa de ser considerada como uma propriedade do objeto em si mesmo e passa a ser analisada enquanto uma atribuição feita por quem dirige o olhar.
Diante disso, nosso Kalós tem intenção distinta: ser terreno e permanecer atento à realidade das instituições de ensino e dos demais âmbitos da sociedade que tanto carecem da Filosofia e com os quais esta precisa permanecer ligada. O Belo, nesse contexto, se apresenta no convite para não desistirmos da Filosofia. Há beleza na experimentação do pensamento e de seu impacto na construção de nós mesmas/os. Sem a sensação do espanto não há a experiência do belo e é este o papel da Filosofia, nos fazer espantar com o novo e com o mesmo, quando este é visto de forma diferente. Nesse sentido, nós ressignificamos o conceito tal como foi visto ao longo da história, assim como pretendemos constantemente rever nosso olhar acerca do mundo.
Por último, mas não menos importante, vale lembrar que a palavra Kalós surge no momento mesmo de criação do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Ensino da Filosofia, em 2008, por iniciativa de professores/as da Faculdade de Filosofia - FAFIL e do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação – CEPAE, da UFG. Na transição de Núcleo para Laboratório, poderíamos ter mudado de nome. Manter, porém, nossa identidade associada à palavra Kalós resulta da relação afetuosa que passamos a ter com um espaço físico que tem esse nome e já se tornou, para nós, um lugar de bons encontros: a sala do Kalós.
Por que a folha de uma planta e uma coruja?
A escolha da folha da planta Costela de Adão (Monstera Deliciosa) - e a cor verde, como símbolos da identidade visual do Kalós -, resulta de calorosos diálogos travados com as/os estudantes da disciplina de “Laboratório de Produção Filosófica”, ao longo do ano de 2022.
A folha de uma planta ao lado da coruja, a ave que simboliza a sabedoria na filosofia, aparecem juntas por estarem relacionadas ao cultivo, plantio, germinação, paciência, sensibilidade para a beleza, capacidade para a harmonia, gosto pela grandiosidade. E mais: a escolha desta folha, e não outra, resulta também do significado que filosofias antigas atribuíram a essa planta: “vida longa”.
Uma vida longa requer que se tenha cuidado com ela. Um cuidado que se estende a todos os seres: animais, humanos e vegetais.
Cuidado com o mundo, portanto.
É o que nos move e faz com que queiramos vida longa ao Kalós!